Compreender o fenómeno da droga na Europa em 2026 — principais desenvolvimentos (Relatório Europeu sobre Drogas de 2026) |

Thumbnail of the European Drug Report 2026: The drug situation in Europe up to 2026

O Relatório Europeu sobre Drogas de 2026 traça um retrato da situação das drogas na Europa com base nos últimos dados disponíveis. Os mercados europeus, que se sobrepõem entre drogas já estabelecidas e novas, continuam a evoluir e são ainda mais complexos pela integração de produtos farmacêuticos desviados e falsificados, o que resulta numa maior diversidade de riscos e coloca desafios sem precedentes aos modelos de resposta existentes. Apresentamos aqui um breve comentário analítico sobre as principais questões relacionadas com as políticas e práticas em matéria de drogas que emergem do relatório deste ano.

Esta página faz parte do Relatório Europeu sobre Drogas de 2026, a síntese anual da EUDA sobre a situação das drogas na Europa.

Última atualização: 9 de junho de 2026

A situação das drogas na Europa em 2026 — Uma panorâmica

Novos riscos para os consumidores relacionados com a ampla disponibilidade de drogas

A disponibilidade de drogas ilícitas continua a ser elevada na Europa, com várias substâncias presentes no mercado, muitas vezes com elevada potência ou pureza. Entre estas encontram-se novas substâncias, relativamente às quais tanto o conhecimento dos consumidores como o conhecimento científico sobre os riscos para a saúde são limitados, a par de drogas mais potentes, que acarretam um risco acrescido e uma maior gravidade dos efeitos nocivos. No caso de drogas como a canábis, estão agora disponíveis produtos diversificados, enquanto, para grupos de substâncias como os opioides e os estimulantes, a variedade de substâncias comercializadas aumentou. Persistem as preocupações quanto ao aumento dos níveis de risco, especialmente entre os grupos vulneráveis e marginalizados, incluindo intoxicações e mortes decorrentes do consumo de drogas de elevada potência ou de novas substâncias, possivelmente de forma inadvertida presentes em misturas de drogas e comprimidos, particularmente no contexto do consumo de múltiplas substâncias.

As incertezas geopolíticas, incluindo conflitos e a desestabilização de Estados nas proximidades da União Europeia e noutras regiões, bem como os seus efeitos no comércio e na economia, têm, até ao momento, um impacto ainda pouco claro no mercado das drogas e nos padrões de consumo na Europa. A crescente complexidade do fenómeno da droga é também influenciada pelos avanços tecnológicos, pela alteração das rotas e métodos de tráfico de droga e pela evolução dos riscos para a saúde decorrentes de uma maior integração dos mercados de drogas ilícitas e de novas substâncias psicoativas. A fim de contornar os controlos jurídicos e regulamentares e as medidas específicas de aplicação da lei, os produtores de drogas continuam a prosseguir uma estratégia de reativa de substituição, alterando os precursores químicos e comercializando novas substâncias. No geral, isto cria um contexto desafiante para a política de drogas, podendo sobrecarregar os modelos e as capacidades de resposta em matéria de saúde e segurança. Esta situação dinâmica é abordada no Quadro Estratégico da UE em matéria de drogas, aprovado pelo Conselho da União Europeia em março de 2026. O quadro inclui a Estratégia da UE em matéria de drogas e a Comunicação da Comissão Europeia relativa a um Plano de Ação contra o tráfico de droga. A resposta estratégica da Europa inclui uma abordagem regulamentar reforçada no que diz respeito ao controlo de precursores e o reforço da coordenação, da cooperação e do desenvolvimento de capacidades com os parceiros internacionais. Neste contexto, a EUDA continua a desenvolver novos instrumentos e serviços para apoiar a resposta da Europa à evolução dos riscos e aos desafios emergentes em matéria de preparação.

A identificação mais atempada de novas drogas e tendências emergentes é fundamental para a preparação das políticas

A crescente sobreposição entre os mercados de drogas ilícitas e de novas substâncias psicoativas, incluindo medicamentos falsificados e desviados, contribui para o risco de mudanças repentinas nos tipos de substâncias disponíveis no comércio a retalho. Isto pode aumentar a exposição das pessoas a riscos imprevisíveis para a saúde decorrentes da utilização inadvertida de substâncias altamente potentes que surgem no mercado. Entre os exemplos contam-se os canabinoides sintéticos presentes nos líquidos para cigarros eletrónicos, novas substâncias psicoativas comercializadas indevidamente como pós e comprimidos de opioides ou estimulantes, e produtos de canábis natural combinados com compostos sintéticos.

Neste contexto, a identificação rápida de mudanças nos mercados de drogas e nos padrões de consumo é cada vez mais importante para garantir que os decisores políticos, os responsáveis pelo planeamento e os profissionais estejam preparados. A par das ferramentas de monitorização já consolidadas e em parceria com a Rede Reitox, a EUDA continua a apoiar o desenvolvimento de sistemas de ponta para ajudar a fornecer análises mais atempadas. Estas incluem o Inquérito Europeu sobre Drogas na Web e iniciativas a nível das cidades que abrangem a análise de águas residuais, emergências hospitalares, análise de resíduos de seringas, serviços de controlo de drogas e salas de consumo de drogas. A Rede de laboratórios forenses e toxicológicos da EUDA apoia e complementa o Sistema de Alerta Rápido da UE, o Sistema Europeu de Alerta sobre Drogas e o sistema de avaliação das ameaças para a saúde e a segurança da EUDA, a fim de avaliar e alertar rapidamente para problemas emergentes. Estão a ser desenvolvidas novas recolhas de dados da EUDA sobre incidentes de produção de drogas e precursores de drogas. Em conjunto, as ferramentas de monitorização multinível mais atempadas da EUDA irão aprofundar a nossa compreensão das drogas que estão a ser vendidas e dos danos associados a substâncias e combinações específicas, reforçando assim o apoio ao desenvolvimento de políticas e de resposta.

Os métodos mutáveis do tráfico de drogas desafiam as respostas e sobrecarregam os recursos

O mercado de drogas na Europa é alimentado e moldado por cadeias de abastecimento globais ágeis, com drogas ilícitas e precursores químicos traficados a partir de diferentes regiões do mundo. A infiltração das cadeias de abastecimento comerciais continua a ser fundamental para o tráfico a granel que sustenta os mercados de drogas, tal como demonstrado pelas apreensões contínuas de grandes remessas de droga nos portos europeus. Os transportes comerciais em contentores continuam vulneráveis à exploração por parte de redes de tráfico que utilizam métodos sofisticados de ocultação física e química, combinados com corrupção, intimidação e violência dirigidas a elementos-chave da cadeia de distribuição. Na sequência da intensificação das operações policiais e aduaneiras nos principais portos europeus e da criação da Aliança Europeia de Portos, as redes de tráfico diversificaram as suas rotas, métodos e formas de ocultação, recorrendo a múltiplos modus operandi. O aumento do recurso a transferências no mar através de diversos tipos de embarcações, semissubmersíveis, drones e métodos de ocultação profunda criou um alvo mais imprevisível, fragmentado e exigente em termos de recursos para as forças de segurança e as alfândegas. Além disso, as formas crescentes de tráfico facilitadas pela tecnologia, como a utilização de drones em vários níveis da cadeia de abastecimento de drogas ilícitas, incluindo o tráfico para dentro das prisões, representam um desafio à resposta e sublinham a necessidade de uma colaboração intersetorial reforçada.

As redes criminosas visam jovens vulneráveis para operar mercados de drogas e perpetrar violência.

O tráfico de drogas ilícitas está associado à intimidação e à violência em toda a Europa. Embora seja difícil de monitorizar, há cada vez mais indícios, provenientes de vários países, que sugerem que alguns jovens, em particular aqueles que já vivem em comunidades carenciadas e marginalizadas, podem estar vulneráveis ao recrutamento ativo para o tráfico de droga. É motivo de particular preocupação a externalização da violência para os jovens através de acordos de «violência como serviço». Isto implica que os jovens cometam atos como intimidação, agressão e homicídio sob a orientação de criminosos que lhes fornecem o planeamento, as armas, o transporte e o financiamento. As respostas da União Europeia a esta evolução incluem mecanismos de combate ao recrutamento, apoiados por parcerias em matéria de segurança digital com plataformas de redes sociais, bem como medidas de sensibilização e de literacia digital. As respostas das autoridades responsáveis pela aplicação da lei têm incluído a desarticulação informada por redes, visando os principais conectores e facilitadores, uma maior integração com as medidas de segurança financeira e interna e uma ação coordenada entre os Estados-Membros da UE.

A evolução dos problemas da droga na Europa destaca o papel fundamental da prevenção baseada em dados concretos

Cover of the European Prevention Curriculum manual
Quer sejam implementados a nível individual, familiar, escolar ou comunitário, os programas de prevenção da toxicodependência e da criminalidade centram-se normalmente no reforço da resiliência e da capacidade de adaptação antes que os danos surjam ou se agravem, permitindo que os indivíduos e os sistemas comunitários antecipem e respondam de forma eficaz aos desafios emergentes. Este aspeto é cada vez mais importante à medida que os problemas de droga na Europa evoluem. As abordagens regulamentares, económicas e ambientais podem influenciar a disponibilidade das substâncias, as normas e os processos de tomada de decisão. A identificação e a execução de intervenções baseadas em dados concretos são importantes, a par do reforço do conjunto de profissionais da prevenção e da integração de normas de qualidade. A EUDA apoia os Estados-Membros da UE através do Currículo Europeu de Prevenção (EUPC), fornecendo um quadro de referência para o reforço das capacidades de prevenção. Dota os decisores políticos, coordenadores e profissionais das competências necessárias para selecionar, conceber, adaptar e avaliar intervenções de acordo com normas de qualidade. Embora se tenha centrado nas substâncias psicoativas e nos comportamentos aditivos, o EUPC reconhece os determinantes sociais, comportamentais e ambientais mais vastos que moldam os padrões de consumo e adota uma ampla perspetiva de saúde pública. No seguimento do EUPC, a EUDA apoia o programa POLITEA, que leva a abordagem de prevenção baseada na evidência aos profissionais da linha da frente do sistema de justiça criminal. A nível nacional e da UE, o investimento no financiamento de atividades de prevenção será uma prioridade para reduzir o impacto futuro do consumo de drogas e dos seus efeitos nocivos.

A redução do impacto das doenças infeciosas exige investimento em serviços e equipamentos

Sharps container with syringe, used in harm reduction context

As pessoas que consomem drogas por via injetável correm um risco maior de infeção por vírus transmitidos pelo sangue, incluindo o VIH e a hepatite C, B e A. Historicamente, a heroína tem sido a droga mais associada ao consumo por via injetável na Europa, mas outras drogas, incluindo estimulantes, medicamentos agonistas opiáceos e novas substâncias psicoativas, também são consumidas por via injetável, quer em combinação, quer isoladamente. O consumo de estimulantes está associado a um aumento da frequência do consumo de drogas por via injetável e a práticas sexuais de maior risco, tendo conduzido a surtos locais de VIH na Europa.

Na Europa, as pessoas que injetam drogas apresentam uma elevada carga de hepatite viral crónica, e o consumo de drogas injetáveis continua a ser o fator de risco mais comum para novos diagnósticos de VHC. Embora não exista vacina para o VHC, existem tratamentos eficazes, e alguns países demonstraram que, com a disponibilização em grande escala de tratamentos e medidas de redução de danos, é possível reduzir significativamente a incidência do VHC entre as pessoas que consomem drogas por via injetável, através de uma abordagem descentralizada e integrada, dotada de financiamento suficiente, em matéria de prevenção, rastreio e tratamento. Em 2025, um surto de hepatite A, com transmissão de pessoa para pessoa, afetou a Chéquia, a Hungria, a Áustria e a Eslováquia, tendo sido registadas 39 mortes. Em muitos casos, registou-se um número significativo de infeções entre as pessoas sem abrigo e as pessoas que consomem drogas. A oferta sistemática de vacinação para o VIH e o VHB nas prisões, bem como em contextos comunitários, é apoiada pelas ferramentas conjuntas do ECDC-EUDA e pelas orientações do ECDC-EUDA.

De um modo mais geral prevenir e conter a transmissão de doenças infeciosas exigem níveis mais elevados de prestação integrada de serviços de prevenção e redução de danos. Em alguns países, continuam a existir dificuldades de financiamento e barreiras de acesso às respostas, incluindo testes de deteção de doenças infeciosas e encaminhamento para cuidados de saúde, programas de distribuição de agulhas e seringas e tratamento com agonistas opiáceos.

A disponibilização de equipamento adequado de redução de danos é fundamental para permitir às pessoas que consomem drogas reduzir o risco de contrair infeções transmitidas por via sanguínea e reduzir a sua probabilidade de lesões relacionadas com a injeção e de overdose fatal. Um miniguia recente da EUDA descreve esta intervenção, que é normalmente prestada a pessoas envolvidas no consumo de drogas de alto risco e que podem ter acesso limitado ou inexistente a material higiénico para injeção, fumar ou inalar. Além disso, são normalmente fornecidas orientações sobre a utilização correta dos produtos, a forma segura de os eliminar após a utilização e as opções para a transição para vias de administração menos arriscadas.

Os produtos de canábis e canabinoides estão a mudar, tal como os problemas

A maior variedade de produtos de canábis suscita preocupações em matéria de saúde pública

Na Europa, a canábis herbácea ilícita e a resina de canábis continuam a ser os tipos de canábis mais amplamente disponíveis. Estima-se que 15,4 milhões de jovens adultos europeus tenham consumido a droga no último ano, e a canábis representa atualmente cerca de um terço das admissões em programas de tratamento de toxicodependência na Europa. Por várias razões, o mercado está a tornar-se mais complexo. Em vários Estados-Membros da UE, é agora possível comprar ou cultivar legalmente pequenas quantidades de canábis. Os novos produtos de canábis estão presentes tanto no mercado das drogas ilícitas como no mercado comercial. Estão a surgir produtos que contêm baixos níveis de THC, substâncias que podem ser derivadas da planta da canábis, como o canabidiol (CBD), ou ambos. É possível encontrar no mercado produtos de canábis adulterados com canabinoides sintéticos potentes; mais recentemente, os canabinoides semissintéticos também se tornaram mais facilmente acessíveis. A disponibilidade de extratos e produtos comestíveis de elevada potência tem sido associada a casos de intoxicações agudas relacionadas com drogas nos serviços de urgência dos hospitais. Os riscos potenciais aumentam e a sua avaliação, bem como a definição de um tratamento adequado, tornam-se mais complexas devido à maior disponibilidade de produtos de canábis diversos e potentes. Para dar resposta às necessidades atuais e futuras, é prioritário reforçar a capacidade de resposta dos serviços de saúde no que diz respeito aos danos causados pelo consumo de canábis e ao seu tratamento.

As fontes ilícitas de canábis e as rotas de abastecimento da Europa estão a evoluir

As redes de tráfico de canábis estão a diversificar as suas rotas e métodos. As autoridades espanholas apreenderam drones e lanchas rápidas que transportavam canábis e, em 2025, as autoridades belgas e holandesas registaram um aumento nas apreensões de canábis em contentores de transporte nos portos marítimos, com apreensões de cerca de 21 toneladas nos portos de Antuérpia e Roterdão, provenientes principalmente do Canadá. Além disso, a canábis está agora também a ser traficada para a Europa a partir dos Estados Unidos e, em menor medida, da Tailândia. Parece provável que a dinâmica do mercado na América do Norte, associada a alterações no quadro regulamentar, incluindo forte concorrência, sobreprodução e preços mais baixos, possa incentivar os traficantes europeus a abastecerem-se de canábis nessa região. Em novembro de 2025, a EUDA emitiu o seu primeiro alerta de sempre através do Sistema Europeu de Alerta sobre Drogas, salientando os potenciais riscos associados à canábis norte-americana, devido à elevada potência dos produtos e à contaminação com pesticidas potencialmente perigosos. Ainda não se sabe ao certo se estes desenvolvimentos indicam uma mudança estrutural no mercado ou um fenómeno temporário, mas colocam desafios às autoridades e sublinham a necessidade de respostas direcionadas e de uma maior cooperação internacional nesta área.

As alterações das políticas relativas à canábis destacam o papel da monitorização e da avaliação

person working on a laptop

Alguns Estados-Membros da UE alteraram ou estão em vias de rever a sua política de consumo de canábis por adultos. Embora difiram em termos de âmbito e fase de implementação, os novos modelos de regulamentação da canábis que estão a ser desenvolvidos envolvem, em geral, medidas de prevenção, cultivo doméstico limitado, bem como monitorização e avaliação. A Alemanha, a Chéquia, o Luxemburgo e Malta permitem um cultivo doméstico limitado. A Alemanha e Malta permitem igualmente a venda sem fins lucrativos a membros de associações de cultivo regulamentadas, ao passo que os Países Baixos estão a realizar uma experiência com canábis produzida em instalações regulamentadas e vendida em coffeeshops. Estas alterações políticas encontram-se numa fase inicial de implementação e variam de país para país. Até ao final de 2025, a Alemanha e o Luxemburgo tinham publicado relatórios de avaliação intercalares com base nos primeiros dados relativos a vários objetivos em matéria de saúde e segurança. Espera-se que um acompanhamento e uma avaliação mais aprofundados proporcionem conclusões relevantes para as políticas. Para apoiar os decisores políticos no domínio do controlo da canábis, a EUDA está a desenvolver um conjunto de ferramentas para as políticas relativas à canábis. 

Continuam a existir riscos para a saúde associados à disponibilidade e atratividade de canabinoides semissintéticos

Os canabinoides semissintéticos são formas quimicamente modificadas de canabinoides naturais. Na sequência da regulamentação internacional do HHC (hexa-hidrocanabinol), outros canabinoides semissintéticos passaram a estar amplamente disponíveis, refletindo o ciclo contínuo de criação de novas substâncias destinadas a contornar os controlos legais. Outro motivo de preocupação é a produção de canabinoides semissintéticos a partir do CBD, uma questão que está a ser analisada pela EUDA. Em 2024, pelo menos três instalações envolvidas na produção de THC ou canabinoides semissintéticos foram desmanteladas na União Europeia. Embora os efeitos dos canabinoides semissintéticos nos seres humanos ainda sejam pouco estudados, os relatos sugerem que são semelhantes aos do THC, com reações adversas que vão desde efeitos ligeiros até intoxicações graves, exigindo, por vezes, tratamento hospitalar. Existem preocupações quanto ao seu potencial para desencadear episódios psicóticos e ao seu potencial de abuso e dependência. Para além do risco de consumo excessivo acidental devido a incertezas na dosagem, a rápida disseminação de cigarros eletrónicos e produtos comestíveis, especialmente gomas, que contêm canabinoides sintéticos e semissintéticos, constitui uma preocupação de saúde pública, uma vez que podem atrair novos consumidores, possivelmente mais jovens.

A vaporização como modo de administração está a aumentar

Young girl smoking e-cigarette; close up of part of her face with lots of smoke

A maior parte da utilização de vaporizadores ou cigarros eletrónicos envolve produtos que contêm nicotina, mas podem igualmente estar envolvidas outras substâncias. O estudo ESPAD de 2024, que incluiu estudantes com idades compreendidas entre os 15 e os 16 anos, identificou o consumo de cigarros eletrónicos como uma preocupação. Os resultados revelam que o consumo de cigarros eletrónicos entre os adolescentes aumentou substancialmente e constitui agora uma característica central dos padrões de consumo de substâncias entre os jovens na Europa. Em média, 44 % dos estudantes nos países participantes no inquérito ESPAD referiram ter consumido cigarros eletrónicos pelo menos uma vez na vida. De um modo geral, a tendência ascendente do consumo de cigarros eletrónicos contrasta com a diminuição dos níveis de consumo de cigarros convencionais, o que sugere uma mudança nos modos de distribuição de nicotina em vez de uma redução do consumo global. A iniciação precoce é notável, tendo uma percentagem significativa comunicado o primeiro consumo aos 13 anos ou menos, o que suscita preocupações quanto à dependência a longo prazo.

De um modo mais geral, a par do crescimento do consumo de cigarros eletrónicos, muitos Estados-Membros da UE comunicaram a apreensão de líquidos para cigarros eletrónicos que contêm canabinoides sintéticos e semissintéticos. A maior disponibilidade destes produtos acarreta vários riscos para a saúde, incluindo o consumo acidental e alterações na exposição devido a possíveis diferenças entre lotes nos compostos. Além disso, a adaptabilidade da tecnologia de vaporização abre caminho para a expansão a outras novas substâncias psicoativas para além dos canabinoides, incluindo novos opiáceos sintéticos potentes, com os riscos para a saúde que lhes estão associados.

A facilidade de acesso à cocaína suscita preocupações em matéria de saúde

A ampla disponibilidade de cocaína, impulsionada por diversas táticas de tráfico

A nível mundial, a produção de cocaína na América do Sul atingiu um máximo histórico, e os dados relativos às águas residuais confirmam que o seu consumo continua a aumentar em muitas cidades europeias. Os dados relativos às apreensões são mais complexos: em 2024, os Estados-Membros da UE comunicaram um maior número de apreensões de cocaína, mas uma quantidade total apreendida inferior, embora o total continue a ser superior ao de 2022. Embora não seja possível tirar conclusões definitivas nesta fase, os dados sugerem que, num período de intensificação da atividade policial e aduaneira, se verificou uma tendência para remessas mais pequenas ou mais fragmentadas e para rotas e métodos de tráfico mais variados. Embora o tráfico em grandes quantidades através dos portos marítimos em contentores de transporte comercial continue a garantir a elevada disponibilidade de cocaína, os traficantes também recorrem a outros métodos para evitar serem detetados. Há mais relatos de exploração de portos de menor dimensão, transferências no mar através de diversos tipos de embarcações, semisubmersíveis tripulados e não tripulados, drones e formas complexas de ocultação física e química. As recentes apreensões em grande escala no mar, realizadas em navios mercantes e lanchas rápidas, bem como os métodos sofisticados de ocultação em produtos alimentares no transporte aéreo, refletem esta tendência.

Muitos locais ilícitos de transformação de cocaína são desmantelados anualmente na Europa, principalmente nos Países Baixos, mas cinco outros Estados-Membros da UE desmantelaram instalações de transformação de cocaína em 2024, incluindo instalações para a extração secundária de cocaína quimicamente ocultada noutros materiais, como os plásticos. A cocaína base e a pasta de coca são traficadas em grandes quantidades para a Europa para posterior processamento em cloridrato de cocaína. De um modo geral, as autoridades aduaneiras e de aplicação da lei estão a fazer face a rotas, métodos e formas de ocultação de tráfico cada vez mais imprevisíveis e fragmentadas, a par da produção de cocaína na Europa, o que cria um ambiente operacional que exige mais recursos e requer o reforço das colaborações e parcerias interagências e transfronteiriças.

Desafios crescentes em matéria de saúde pública decorrentes da cocaína

cocaine powder lines in a mirror

A seguir apenas à canábis, a cocaína continua a ser uma das drogas ilícitas mais consumidas na Europa, e indicadores como as análises às águas residuais municipais apontam para uma distribuição geográfica e social cada vez mais alargada. Para além dos padrões episódicos de consumo por parte de consumidores mais integrados socialmente, a cocaína é também fumada e injetada por populações de alto risco e mais marginalizadas. Os relatórios das salas de consumo vigiado e da análise de resíduos de seringas refletem padrões de consumo complexos e de alto risco, incluindo a injeção e o consumo juntamente com opiáceos como a heroína.

A cocaína também ocupa um lugar de destaque entre as drogas ilícitas no que diz respeito ao seu impacto na saúde pública. É uma das principais causas de emergências relacionadas com intoxicação aguda por drogas nos hospitais sentinela e está frequentemente associada a mortes induzidas por drogas, representando aproximadamente um quarto dos casos nos dados mais recentes disponíveis para 20 países. Esta droga também ocupa um lugar de destaque na procura de tratamento, com indicadores a sugerirem que o problema continua a agravar-se, em vez de se estabilizar. Os dados atuais apoiam as intervenções psicossociais, incluindo a terapia comportamental cognitiva e a gestão de contingências. No entanto, as evidências continuam a ser insuficientes para justificar qualquer tratamento farmacológico, embora estejam em curso estudos sobre formas de tratamento com agonistas. Os serviços integrados de tratamento da toxicodependência e de saúde mental são frequentemente inexistentes para os utentes desta zona, pelo que se justifica um reforço da oferta de serviços personalizados, embora tal possa revelar-se um desafio.

Cocaína-crack que suscita preocupação em algumas cidades

A cocaína-crack continua a ser um problema visível e potencialmente crescente em várias cidades europeias, embora a monitorização desigual dificulte determinar em que medida tal reflete uma maior distribuição geográfica, uma maior disponibilidade ou uma melhoria na notificação. Os dados disponíveis apontam para uma utilização concentrada entre os grupos altamente marginalizados, em especial no contexto do fenómeno dos sem-abrigo, da privação socioeconómica e do policonsumo de substâncias, ao passo que os consumidores socialmente mais integrados podem continuar a estar sub-representados nos dados disponíveis. Esta evolução parece ser impulsionada pela elevada disponibilidade de cocaína, pela facilidade de transformação local a partir da cocaína em pó e pelas dinâmicas variáveis dos mercados locais de droga a nível do retalho. O aumento da disponibilidade de cocaína-crack pode provocar graves problemas de saúde, a proliferação de pontos de consumo de drogas, idas repetidas às urgências hospitalares e condições de vida geralmente caóticas, o que pode levar as pessoas afetadas a passar por percursos fragmentados de cuidados e tratamento. Em algumas cidades, têm sido registados casos de violência motivados pela dinâmica do mercado local de tráfico de droga, o que coloca pressão sobre as respostas de saúde, sociais e de segurança pública. Os dados mais recentes indicam que, embora permanecendo relativamente baixos, o número de pessoas que iniciam tratamento por problemas relacionados com crack está a aumentar. Além disso, quase um quarto são mulheres, o que sublinha a necessidade de uma prestação de serviços sensível às questões de género. Algumas salas de consumo assistido de drogas promovem o consumo mais seguro de crack, tendo sido registados episódios de consumo de crack em 12 cidades durante o primeiro semestre de 2025. De um modo geral, o consumo de cocaína-crack está a exercer uma pressão crescente sobre os prestadores de serviços de redução dos danos e de tratamento, uma vez que estes respondem às necessidades de um grupo que enfrenta graves problemas sociais e de saúde.

As drogas sintéticas suscitam diversas preocupações em termos de saúde

Responder à evolução da produção de drogas sintéticas e dos precursores de síntese

People in protective suits work with trays of liquid samples on metal shelves in a laboratory-like setting

A produção de drogas ilícitas ameaça a saúde e a segurança públicas, criando riscos para as forças da ordem, os serviços de emergência e o ambiente. As instalações de produção de drogas sintéticas desmanteladas na União Europeia em 2024 fabricavam diversas substâncias, incluindo anfetamina, metanfetamina, catinonas sintéticas e MDMA. Alguns laboratórios ilegais produzem vários estimulantes sintéticos que requerem os mesmos precursores e equipamentos de fabrico. A inovação nos processos de produção é evidente nas apreensões de produtos químicos utilizados no fabrico dos precursores necessários para produzir drogas sintéticas. A utilização de uma gama mais ampla de produtos químicos para produzir novas substâncias e desenvolver diferentes processos de síntese coloca um desafio em constante evolução e complexo para as autoridades aduaneiras, as forças de segurança e as entidades reguladoras. Os produtores de drogas ilícitas recorrem continuamente a substâncias químicas não controladas para contornar os controlos internacionais sobre os precursores. Refletindo este ciclo, foram apreendidas grandes quantidades de derivados glicídicos de BMK e PMK, utilizados no fabrico de anfetaminas e da MDMA, em 2024. Os dados preliminares de 2025 indicam que surgiram novas alternativas ao BMK, que serão objeto de avaliações de risco da EUDA em 2026. Estes «precursores sintéticos» são quimicamente semelhantes aos precursores controlados, são concebidos especificamente para contornar os controlos e, normalmente, não têm qualquer utilização legítima conhecida. O novo regulamento relativo ao controlo dos precursores proposto pela  Comissão Europeia reforça o papel da EUDA em matéria de monitorização e avaliação dos riscos e cria um repositório de precursores de drogas à escala da UE, reforçando a resposta à produção ilícita de drogas e ajudando a travar a importação de precursores.

Aumento da oferta de catinonas sintéticas impulsionado pelas importações e pela produção

As catinonas sintéticas estabeleceram-se em algumas partes da Europa como alternativas acessíveis a estimulantes ilícitos como a anfetamina e a cocaína. Embora o consumo inadvertido de misturas de drogas e comprimidos continue a ser motivo de preocupação, as catinonas são também procuradas intencionalmente como alternativas mais acessíveis. Os dados do Sistema de Alerta Rápido da UE indicam que a N-etilnorpentedrona (NEP), atualmente sujeita a controlo ao abrigo da legislação da UE, estava a ser comercializada indevidamente como 3-MMC, outra catinona, em 2025, causando consumo acidental e intoxicações.

Os dados dos serviços de teste de drogas sugerem que as catinonas sintéticas são procuradas intencionalmente, embora a catinona encontrada na amostra seja frequentemente diferente da que se presume ter sido adquirida. Isto reflete a natureza dinâmica da produção de catinonas e gera riscos para a saúde em constante mudança. As apreensões e importações comunicadas de catinonas sintéticas na União Europeia aumentaram nos últimos relatórios, enquanto as grandes apreensões de precursores e o desmantelamento de um grande número de laboratórios ilícitos sugerem que a produção de catinonas sintéticas continua a ser significativa na Europa, em especial na Polónia. Há também sinais de que pode estar a ocorrer uma mudança para compostos mais potentes, com um número crescente de locais de produção de alfa-PVP (α-pirrolidinovalerofenona). Esta substância tem uma potência particularmente elevada e o potencial de provocar agitação, paranoia, agressividade e psicose. Em 2026, a EUDA realizou uma avaliação de risco de vários precursores de catinonas sintéticas, com o objetivo de apoiar medidas destinadas a inibir o seu fornecimento.

Riscos crescentes para a saúde decorrentes da integração da cetamina nos mercados de drogas

A polícia holandesa apreendeu 2 toneladas de cetamina, em janeiro de 2024, em Muiderberg

A cetamina é um anestésico e analgésico de uso médico legítimo, que também é consumido de forma indevida, frequentemente em ambientes de diversão noturna, e é habitualmente inalada na forma de pó. A droga parece estar cada vez mais disponível na Europa. Entre os inquiridos do Inquérito Europeu sobre Drogas de 2024, um inquérito não representativo, 14 % das pessoas que tinham consumido drogas no último ano referiram ter consumido cetamina, principalmente no contexto do consumo de múltiplas substâncias, juntamente com outras drogas e álcool. A monitorização das águas residuais fornece mais indícios de uma difusão mais ampla, com a maioria das cidades europeias com dados suficientes a registar um aumento dos níveis de resíduos de cetamina entre 2024 e 2025. Os padrões de consumo combinado também se refletem nos dados relativos a efeitos nocivos agudos, sendo a cocaína a substância mais frequentemente referida em combinação com a cetamina nos casos de toxicidade aguda comunicados aos hospitais sentinela da Euro-DEN em 2024. Existem também relatos de cetamina misturada com estimulantes em misturas de drogas conhecidas como «cocaína rosa». No entanto, os dados dos serviços de análise de drogas revelam que a maioria das amostras de cetamina analisadas continha apenas a substância pretendida, o que indica que a mistura da cetamina com outras drogas pode, muitas vezes, ser intencional. Um relatório recente da EUDA indica que a maior parte da cetamina apreendida na Europa provém da produção lícita na Índia e é importada a granel para os Estados-Membros da UE, principalmente a Alemanha, sendo depois desviada para o mercado ilícito.

A cetamina é frequentemente consumida por via nasal e está associada a efeitos nocivos agudos e crónicos dependentes da dose, nomeadamente lesões na bexiga decorrentes do uso intensivo. O número de utentes que iniciam tratamento especializado para problemas relacionados com o consumo de cetamina continua a ser baixo, embora tenha quadruplicado nos últimos cinco anos de referência. O acesso ao tratamento e os percursos de encaminhamento para cuidados especializados continuam a ser um desafio para as pessoas com problemas de saúde relacionados com a cetamina, o que exige um melhor acesso a serviços adequados, bem como medidas de prevenção específicas e uma comunicação eficaz sobre os riscos para aqueles que possam não estar cientes dos riscos para a saúde associados ao consumo de cetamina. O reforço da partilha de informações entre as autoridades reguladoras e as autoridades responsáveis pela aplicação da lei deve centrar-se na identificação e na resolução das vulnerabilidades existentes nas cadeias de abastecimento legítimas, tendo simultaneamente em conta o potencial de deslocamento — incluindo a transição para a produção ilícita, resultante de medidas específicas de redução da oferta.

Os danos causados pelos opiáceos continuam a colocar um desafio às medidas de resposta

O consumo de múltiplas substâncias e a variedade de opiáceos contribuem para a mortalidade relacionada com o consumo de drogas

Emergency vehicle driving fast on a blurred street

Estima-se que, em 2024, tenham ocorrido na União Europeia, no mínimo, 7600 mortes diretamente relacionadas com o consumo de drogas. A maioria envolveu o consumo de mais do que uma substância, refletindo padrões de consumo de drogas cada vez mais complexos, incluindo o policonsumo de drogas. Os opiáceos, geralmente em combinação com outras substâncias, continuam a ser o grupo de substâncias mais frequentemente envolvido em mortes induzidas pela droga. Os opiáceos que não a heroína, incluindo a metadona, a buprenorfina, os opiáceos sintéticos altamente potentes e os medicamentos para alívio da dor que contêm opiáceos, estão associados a uma percentagem substancial de mortes por overdose em alguns países. Os opioides sintéticos altamente potentes, como os nitazenos, têm estado associados a surtos de intoxicações fatais e não mortais na Europa. No entanto, com exceção de alguns países bálticos, estas drogas não têm grande destaque nos dados de rotina a nível da UE. No entanto, mudanças repentinas no mercado de drogas podem levar ao rápido surgimento de outros opiáceos sintéticos altamente potentes, como as orfinas. A EUDA coordena uma rede de laboratórios forenses e toxicológicos com o objetivo de aumentar a capacidade analítica e fornecer informações de primeira linha. Isto facilita a rápida troca de informações e a avaliação de riscos, auxiliando as autoridades nacionais nas suas atividades de monitorização.

Do lado das respostas, a estratégia principal consiste em proporcionar tratamento com agonistas opiáceos às pessoas que dele necessitam. Do ponto de vista da saúde pública, têm surgido recentemente nos Estados-Membros da UE algumas preocupações relativamente às ameaças à disponibilidade do tratamento com agonistas opiáceos à base de buprenorfina, ao qual recorrem cerca de 36 % dos utentes deste tipo de tratamento. As dificuldades de acesso aos medicamentos podem comprometer a continuidade do tratamento, levantando questões relacionadas com a disponibilidade de formulações equivalentes, bem como possíveis riscos associados à necessidade de os doentes mudarem de medicamento. Além disso, um conjunto crescente de evidências sugere que aumentar a disponibilidade de antagonistas opiáceos, como a naloxona, pode ajudar a prevenir overdoses fatais de opiáceos. Embora a naloxona seja utilizada em contextos clínicos em todos os países, foram registados programas de naloxona para uso doméstico em 19 países europeus até 2025, embora a disponibilidade varie tanto dentro dos países como entre eles, o que destaca o desafio que continua a existir para garantir que o acesso à naloxona seja suficiente em todos os contextos e grupos

Continuam a surgir novos opiáceos sintéticos potentes na Europa

Os novos opiáceos sintéticos são frequentemente muito potentes, o que representa um risco acrescido de intoxicações potencialmente fatais. Nos últimos cinco anos, três quartos dos Estados-Membros da UE comunicaram a presença de nitazeno e mais de um terço comunicaram a presença de orfina. O Sistema de Alerta Rápido da UE sobre novas substâncias psicoativas tem recebido um número crescente de notificações relativas a medicamentos falsificados que contêm opiáceos da classe do nitazeno. Embora sejam predominantemente utilizados por pessoas envolvidas no consumo de opiáceos de alto risco, existem também preocupações de que esses comprimidos se possam propagar entre as populações sem tolerância aos opiáceos, incluindo os jovens. Além disso, tem-se registado um aumento dos relatos relativos às orfinas, provavelmente associado à imposição, em julho de 2025, de uma proibição generalizada dos nitazenos na China. As orfinas têm sido associadas a casos de intoxicação aguda não fatal e a mortes nos Estados-Membros da UE. Embora existam poucos dados farmacológicos disponíveis, as orfinas são estruturalmente semelhantes à brorfina, um opióide potente, o que sugere que a depressão respiratória constitui o principal risco para a saúde. A EUDA iniciou as revisões da ciclorfina e da espiroclorfina na primavera de 2026, e as conclusões serão utilizadas pela Comissão para decidir se são necessárias avaliações formais dos riscos. O reforço da prestação de serviços de tratamento e de redução de danos, numa escala adequada para responder às necessidades das populações de alto risco, é fundamental para limitar os danos atuais e futuros causados pelos novos opiáceos sintéticos potentes.

As mortes causadas pelo fentanilo sublinham a necessidade de vigilância

hand holding a syringe

O fentanilo, um opiáceo sintético altamente potente, tem sido, há muitos anos, associado a mortes por overdose na Europa, embora a distribuição geográfica tenha sido limitada a um pequeno número de países. Em termos de oferta, o fentanilo é, por vezes, um medicamento desviado e, por vezes, produzido ilegalmente. Entre 2024 e 2025, o fentanilo esteve associado a mais de 100 mortes por consumo de drogas na Bulgária, tendo sido apreendidos vários quilos de substâncias que continham fentanilo. As repetidas apreensões de grandes quantidades, a dispersão geográfica e as fontes não identificadas de produção e tráfico de fentanilo aumentam o risco de novos problemas relacionados com o fentanilo na Bulgária e noutros países. Em 2024, a Espanha e os Países Baixos comunicaram quatro apreensões do precursor do fentanilo N-boc-4-piperidona, num total de 30 quilogramas. Ainda não se sabe se as remessas se destinavam a instalações de produção na UE ou se estavam em trânsito para locais fora da UE. Melhorar o acesso ao tratamento com agonistas opiáceos, aos programas de troca de agulhas e seringas e à naloxona para uso doméstico continua a ser fundamental para fazer face aos atuais problemas relacionados com os opiáceos e para garantir a preparação e a resiliência face às mudanças no mercado dos opiáceos.

O mercado de heroína na Europa, que se mantém resiliente, é alimentado pelas reservas de ópio e pela diversificação da produção

A relativa estabilidade da disponibilidade de heroína na Europa é em parte atribuída à existência de grandes reservas no Afeganistão, estimadas em cerca de 12 000 toneladas de ópio em 2025. As práticas avançadas de transformação e adulteração, bem como a gestão tática da oferta por parte das redes de tráfico, também têm contribuído para manter a disponibilidade de heroína, apesar da redução do cultivo de papoila do ópio no Afeganistão. Esta situação torna menos provável uma escassez de heroína na Europa a curto e médio prazo. Continuam a ocorrer grandes apreensões de heroína em países situados nas principais rotas de tráfico, e, em 2024, foram desmantelados vários locais de adulteração e embalagem de heroína na União Europeia. O Paquistão, em particular a província do Baluchistão, que faz fronteira com o Afeganistão e onde se encontram importantes portos marítimos ligados ao tráfico de droga para a Europa, também se revelou uma fonte de ópio e heroína, com análises de imagens de satélite a sugerirem mais de 9000 hectares de cultivo de papoila do ópio em 2025, o que poderá rivalizar com a produção do Afeganistão. Noutros países da Ásia, o cultivo de papoila do ópio em Mianmar atingiu em 2025 o seu nível mais elevado dos últimos 10 anos, ultrapassando os 45 000 hectares. Os países europeus terão de permanecer vigilantes relativamente a sinais de mudanças no mercado ao longo dos próximos anos, incluindo o aumento do consumo de opiáceos sintéticos ou estimulantes.

Em síntese

Em resumo — estimativas do consumo de drogas na União Europeia
 

Fontes dos Dados

Os dados utilizados para gerar as infografias e os gráficos desta página podem ser consultados abaixo.

O conjunto completo de dados de base para o Relatório Europeu sobre Drogas 2026, incluindo metadados e notas metodológicas, está disponível no nosso catálogo de dados.

Pode ser consultado abaixo um subconjunto destes dados, utilizado para gerar infografias, gráficos e elementos semelhantes nesta página.


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