Good Behaviour Game (GBG)

Resumo

Avaliação: Potencialmente benéfico
País de origem: Estados Unidos da América
Última revisão: 02.05.2024
Idade: 6-10 anos
Grupo-alvo: Crianças em idade escolar primária (6-10 anos)
Contexto de implementação do programa: Escolas
Nível(is) de intervenção: Prevenção ambiental; prevenção universal

O Good Behaviour Game (GBG) é uma estratégia eficaz para promover o comportamento pró-social em contextos educacionais. Por meio de práticas que enfatizam recompensas e consequências, o GBG incentiva a autodisciplina, a cooperação e o respeito mútuo entre os alunos. Isso está alinhado com o objetivo de promover comportamentos pró-sociais, orientando os alunos a trabalharem juntos, apoiarem uns aos outros e contribuírem para um ambiente de aprendizado positivo e estimulante. 

O GBG visa não apenas reduzir o comportamento agressivo e perturbador em sala de aula, que é um fator de risco para o uso de álcool, tabaco e outras drogas por adolescentes e adultos, mas também promover atitudes e ações que reforcem um senso de comunidade e bem-estar dentro da sala de aula.

O programa ajuda os professores a criar atividades coletivas e colaborativas entre os estudantes, reforçando os comportamentos adequados em sala de aula de forma consistente. Isso facilita a autorregulação das crianças, tornando-as membros ativos da comunidade da sala de aula e promovendo a gestão comportamental de apoio e o comportamento positivo dos jovens.

Nas salas de aula do GBG, o professor designa todas as crianças para equipes equilibradas em termos de gênero, comportamento agressivo e perturbador, e comportamento tímido e socialmente isolado. As regras básicas de comportamento dos estudantes em sala de aula são apresentadas e revisadas. Ao jogar GBG, cada equipe é recompensada se seus membros cometerem um total de quatro ou menos infrações às regras da sala de aula durante um período de jogo.

Durante as primeiras semanas da intervenção, o GBG é jogado três vezes por semana por 10 minutos cada vez, durante os períodos do dia em que o ambiente da sala de aula é menos estruturado e os estuadantes estão trabalhando independentemente do professor. Os períodos de jogo aumentam em duração e frequência em intervalos regulares; na metade do ano, o jogo pode ser jogado todos os dias. No início, o professor anuncia o início de um período de brincadeira e dá recompensas no final do período. Posteriormente, o professor adia as recompensas para o final do dia ou da semana letiva. Com o passar do tempo, a GBG é praticada em diferentes momentos do dia, durante diferentes atividades e em diferentes lugares; as brincadeiras deixam de ser altamente previsíveis em termos de tempo e ocorrência, com reforço imediato, e passam a ser imprevisíveis, com reforço retardado, para que as crianças aprendam que o bom comportamento é esperado em todos os momentos e em todos os lugares.

A GBG deu origem a modelos sociais promissores, como o PAX, que amplia a perspectiva da GBG introduzindo estratégias para melhorar a cooperação e o bem-estar coletivo. O PAX inclui a estratégia "PAX Visions" para visualizar comportamentos ideais e usa um vocabulário específico, como "Spleems", para identificar comportamentos negativos de forma neutra e não estigmatizante. Isso facilita a comunicação das expectativas e do feedback de forma sensível e respeitosa.

Na Europa, o Good Behavior Game (GBG) foi estudado na Bélgica (Leflot et al., 2010, 2013), na Holanda (Van Lier et al., 2004, 2005, 2009; Vuijk et al., 2006, 2007; Breeman et al, 2015), Irlanda (O'Donnell et al., 2016; O'Keeffe et al., 2021), Reino Unido (Ashworth et al., 2020; Troncoso & Humphrey, 2021) e Estônia (Streimann et al., 2017, 2020). Os resultados variaram entre os estudos. Nesses países, os resultados encontrados nas avaliações de eficácia foram: efeitos positivos sobre a gestão do comportamento do professor; efeitos positivos sobre problemas emocionais e comportamentais, comportamentos externalizantes, sintomas de TDAH e relacionamentos com colegas, especialmente entre crianças com transtornos psiquiátricos; melhoria na autorregulação, no autocontrole e na redução de comportamentos disruptivos; maior participação correlacionada com melhores resultados, especialmente para crianças em situação de risco; redução dos problemas de concentração ao longo do tempo e melhoria do comportamento pró-social em crianças em situação de risco.

Visão geral dos resultados dos estudos da América Latina

  • Versões avaliadas: Elos (Brazil), Elos 2.0 (Brazil), Juego del Buen Comportamiento (Chile).

O governo brasileiro na busca pelo desenvolvimento de políticas educacionais inclusivas no enfrentamento as desigualdades sociais e econômicas, em parceria com o UNODC, lançou um projeto para adaptar programas de prevenção ao uso de álcool, tabaco e outras drogas, desenvolvido e implementado  em outros países, ao contexto brasileiro. O programa Good Behavior Game - GBG foi recomendado devido à sua efetividade comprovada em diversos países e foi selecionado para um estudo piloto em quatro cidades brasileiras durante o ano letivo de 2013, com crianças em idade escolar de 6 a 10 anos.

Neste ano foram realizados os treinamentos e as atividades, com as adaptações do para o contexto brasileiro (Lorenzo et al., 2018), e o programa foi renomeado como "Programa Elos: Construindo Coletivos (ELOS)". O projeto teve apoio contínuo dos treinadores durante as fases de planejamento e implementação, e a avaliação foi feita por equipes de pesquisa de duas universidades brasileiras. O programa concentrou-se principalmente na promoção de interações cooperativas entre professores e alunos, visando promover a saúde mental, prevenir ou reduzir problemas de comportamento (como comportamento disruptivo, agressividade e timidez), e também promover ações de proteção precoce para prevenir ou minimizar os riscos do uso de drogas a longo prazo. 

Entre 2014 e 2015, através da iniciativa de transformar as intervenções de políticas públicas, o programa foi expandido para 17 municípios do país, com o objetivo de reduzir os comportamentos agressivos e desenvolver comportamentos pró-sociais (Schneider et al., 2018). Algumas dessas implementações foram submetidas a uma avaliação de eficácia através de ensaio não randomizado. Os resultados mostraram evidência de redução da agressividade entre meninos com idade média de 8 anos  (Schneider et al., 2022).

Foram realizadas também, avaliações do processo de implementação, com foco na aceitabilidade e percepção de resultados pelos profissionais envolvidos (Schneider et al., 2016) e sobre a relação entre a fidelidade da implementação e a avaliação dos resultados (Schneider et al., 2023). Este último destacou a necessidade de se realizar algumas adaptações para melhor refletir o contexto social e econômico brasileiro.

Diante dessa necessidade e após passar por revisão, no ano de 2019 uma nova versão do Programa, que passou a ser chamado Elos 2.0, foi submetido a uma avaliação de efetividade na redução de comportamentos problemáticos e no aprimoramento das habilidades sociais entre crianças de 6 a 10 anos nas escolas. Conforme descrito no protocolo do estudo (Mariano et al., 2022), essa avaliação foi realizada através de um ensaio controlado randomizado envolvendo 30 escolas em três cidades, com coleta de dados por meio do questionário ‘Observação do Professor da Adaptação em Sala de Aula (TOCA)’, nas subescalas para problemas de concentração, comportamento disruptivo e comportamento pró-social, antes e após o período de intervenção. 

Os resultados desse estudo (Caetano et al., 2024), que avaliou 2.030 crianças, antes e 1 mês após a intervenção, mostraram um efeito positivo melhora na concentração, na redução de comportamento disruptivo e no aumento de comportamento pro-social em comparação com o grupo de controle. A diminuição desses comportamentos durante a infância pode ser um indicador importante de menor uso de substâncias psicoativas na adolescência.

No Chile, um estudo (Pérez et al., 2005) apresentou os resultados preliminares da implementação do programa Good Behaviour Game - GBG que tinha como objetivo prevenir comportamentos perturbadores e agressivos em quatro turmas de alunos entre 7 e 8 anos de idade, em escolas municipais da capital, Santiago. O programa foi aplicado durante a primeira e a segunda séries e os resultados, comparados com um grupo que não recebeu a intervenção (grupo de controle) e possuía características semelhantes, de acordo com o perfil de risco psicossocial. Ambos os grupos foram avaliados no Ano 1 antes de iniciar a intervenção e no final do ano. Eles foram avaliados novamente no final do Ano 2 e, finalmente, no Ano 3, um ano após o término da aplicação do GBG. Os resultados desta primeira coorte de acompanhamento, realizada em ambos os grupos, apresentaram que a porcentagem de alunos que deixaram de ter problemas aumentou entre o Ano 1 e 3 (43,2% para 50%), e o grupo de intervenção teve uma porcentagem maior de crianças que melhoraram seu comportamento.

Na Colômbia, o GBG foi implementado como parte de um programa de reforço escolar, em um grupo de 23 meninos e 16 meninas com idades entre 5 e 11 anos, com o objetivo de avaliar a eficácia e a experiência dos participantes do programa. A avaliação foi realizada através de uma análise mista dos dados de observação e medição quantitativa, pré e pós-implementação; acompanhada de entrevistas semiestruturadas com crianças e responsáveis. Como resultado, com base nos dados quantitativos, constatou-se que houve uma mudança significativa em dois dos três comportamentos avaliados (permanecer no local indicado e seguir as instruções do professor). Entretanto, em nível qualitativo, não foram identificadas diferenças na mudança de comportamento das crianças e foi relatado um aumento na agressividade. Até o presente momento, não há publicações desses resultados em artigos científicos. 

No México, um estudo de delineamento experimental de caso único (Rodríguez-Hernández et al., 2022), analisou o efeito antes e depois da implementação do GBG sobre os comportamentos disruptivos e a permanência das crianças na tarefa, com 17 alunos mexicanos de 8 e 9 anos de idade. A avaliação se deu por meio de registros de observação durante 20 sessões, onde foi percebido um aumento no comportamento de permanência na tarefa tanto em meninos quanto em meninas e uma diminuição nos comportamentos disruptivos leves, moderados e graves. 

Referências

Pérez, Verónica, Rodríguez, Jorge, De la Barra, Flora, & Fernández, Ana María. (2005). Efectividad de una Estrategia Conductual Para el Manejo de la Agresividad en Escolares de Enseñanza Básica. Psykhe (Santiago), 14(2), 55-62. https://dx.doi.org/10.4067/S0718-22282005000200005

Schneider, D. R., Garcia, D., D’Tolis, P. O. A. O., Ribeiro, A. M., Cruz, J. I. da, & Sanchez, Z. M. (2022). Elos Program’s Efficacy Evaluation in School Management of Child Behavior: A Non-Randomized Controlled Trial. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 38. https://doi.org/10.1590/0102.3772e38315.en

Caetano, S.C., Mariano, M., da Silva, A.R. et al. Effectiveness of the Elos 2.0 Program, a Classroom Good Behavior Game Version in Brazil. Int J Ment Health Addiction (2024). https://doi.org/10.1007/s11469-024-01256-6

Referências que não foram incluídas no processo de avaliação

Lorenzo, F. M., Aveiro, A. G., Vieira, A. G., Ferreira, D. C., Araújo, L. A. S., Tibúrcio, R. R. R., & Gehm, T. P. (2018). Do good behavior game ao programa elos: a adaptação transcultural de um programa de prevenção infantil.

Schneider, D. R., Pereira, A. P. D., Cruz, J. I., Strelow, M., Chan, G., Kurki, A., & Sanchez, Z. M. (2016). Evaluation of the Implementation of a Preventive Program for Children in Brazilian Schools. Psicologia: Ciência E Profissão, 36(3), 508–519. https://doi.org/10.1590/1982-3703000592016

Schneider, D. R.; Kaszubowski, E.; Garcia, D.; Oltramari, L. C.; Sanchez, Z. M. (2023). Avaliação da moderação da fidelidade nos resultados do Programa Preventivo Elos. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 75, e010.
Schneider, D. R., Strelow, M., Langaro, F., & Kaszubowski, E. (2018). A inserção escolar do programa elos: avaliação do processo de implementação na realidade brasileira.

Mariano, M., da Silva, A. R., Lima, J. L. S., de Pinho, N. T., Cogo-Moreira, H., Melo, M. H. S., Mari, J. J., Sanchez, Z. M., & Caetano, S. C. (2021). Effectiveness of the Elos 2.0 prevention programme for the reduction of problem behaviours and promotion of social skills in schoolchildren: study protocol for a cluster-randomized controlled trial. Trials, 22(1), 468. https://doi.org/10.1186/s13063-021-05408-0

Rodríguez-Hernández,AB; Vallejo-Casarín AG; Saldaña-Gutiérrez, AY; Rivera-Barrientos, AM. (2022). Good Behavior Game as a Strategy to Reduce Disruptive Behavior in Mexican Students. Revista de Educación y Desarrollo, 61. Abril-junio de 2022.

 

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