Novas substâncias psicoativas – a situação atual na Europa (Relatório Europeu sobre Drogas 2025)
O mercado das novas substâncias psicoativas caracteriza-se pelo grande número de substâncias que surgiram, sendo detetados novos compostos todos os anos. Nesta página, pode encontrar uma panorâmica da situação das novas substâncias psicoativas na Europa, apoiada por informações do Sistema de Alerta Rápido da UE sobre apreensões e substâncias detetadas pela primeira vez na Europa. As novas substâncias abrangidas incluem os canabinoides sintéticos e semissintéticos, as catinonas sintéticas, os novos opiáceos sintéticos e os nitazenos.
Esta página faz parte do Relatório Europeu sobre Drogas 2025, a síntese anual da EUDA sobre a situação das drogas na Europa.
Última atualização: 5 de junho de 2025
Os volumes sem precedentes, as novas substâncias potentes e o consumo não intencional suscitam preocupações
O mercado das novas substâncias psicoativas caracteriza-se pelo grande número de substâncias que surgiram, sendo detetados novos compostos todos os anos. O termo «novas substâncias psicoativas» abrange uma vasta gama de tipos de substâncias que não são controladas por acordos internacionais de controlo de drogas, embora algumas delas possam estar sujeitas a medidas regulamentares nacionais. Pelo segundo ano consecutivo, as autoridades de aplicação da lei dos Estados-Membros da UE comunicaram ao Sistema de Alerta Rápido da UE uma quantidade recorde de novas substâncias psicoativas, que ascende a 41,4 toneladas importadas ou apreendidas.
Os dados mais recentes demonstram que os produtores de drogas continuam a criar novas substâncias para evitar controlos legais, com 47 novas substâncias psicoativas notificadas pela primeira vez em 2024. Este valor está próximo do número anual habitualmente comunicado entre 2016 e 2022. Além disso, em 2023, foram detetadas no mercado cerca de 350 novas substâncias anteriormente notificadas, embora normalmente em pequenas quantidades.
De um modo geral, os riscos para a saúde resultantes destes novos compostos são pouco conhecidos, embora alguns representem claramente um grave risco para os consumidores de sofrerem intoxicações graves ou mesmo fatais, ou outros problemas de saúde. Ao longo do tempo, os controlos legislativos e outras medidas regulamentares tomadas na Europa e nos países de origem não pertencentes à UE, parecem ter contribuído para uma redução do número de novas substâncias psicoativas que surgem pela primeira vez anualmente, em especial os que foram especificamente visados, como os derivados de fentanilo e os canabinoides sintéticos. No entanto, continuam a surgir outras substâncias concebidas para contornar a lei, sendo que a China e a Índia continuam a ser os principais países de origem destas substâncias ou dos precursores que são necessários para as produzir.
As potenciais intoxicações de canabinoides sintéticos continuam a ser motivo de preocupação
Em 2024, os países europeus identificaram 20 novos canabinoides, 18 dos quais eram canabinoides semissintéticos, representando mais de 40 % das novas substâncias comunicadas pela primeira vez ao Sistema de Alerta Rápido da UE nesse ano.
Apesar dos indícios de uma redução significativa na disponibilidade de canabinoides sintéticos em 2023, estas substâncias continuam a ser uma ameaça para a saúde pública, afetando particularmente as populações vulneráveis, como os reclusos. Os canabinoides sintéticos são muitas vezes extremamente potentes e acarretam riscos de intoxicação. Estes compostos podem também ser vendidos ou utilizados de forma abusiva para adulterar canábis e produtos com canabinoides semissintéticos sem o conhecimento dos consumidores, aumentando os riscos para a saúde. Tal pode incluir produtos comestíveis de canábis que, muitas vezes, são alimentos na forma de doces, que são tipicamente infundidos com extrato de canábis e que se têm tornado mais disponíveis no mercado ilícito na Europa desde 2021.
Na sequência da implementação por parte da China, em julho de 2021, de medidas jurídicas genéricas de controlo, foi perturbado o fornecimento de quase todos os canabinoides sintéticos conhecidos para a Europa, reduzindo a disponibilidade de compostos dominantes, como o MDMB-4en-PINACA e o ADB-BUTINACA. Os produtores responderam introduzindo novos compostos, como os OXIZID, cuja utilização nunca se tornou generalizada. Além disso, há indícios de que estas substâncias estão agora a ser produzidas na Europa, com relatórios de 2023 sobre a sua produção num pequeno número de laboratórios ilícitos apreendidos e com a apreensão de mais de 148 quilogramas do precursor MDMB-INACA (Figura 7.1).
Fonte: Polícia grega, Unidade Central de Coordenação Anti-Droga – Unidade Nacional de Informação (Central Anti-drug Co-ordination Unit – National Intelligence Unit, SODN-EMP), Laboratório Estatal Geral de Química.
A disponibilidade de canabinoides sintéticos na Europa pode ser afetada por vários fatores, incluindo alterações na produção interna, o possível reaparecimento de compostos mais antigos que anteriormente eram populares e o surgimento de novas localizações de produção em larga escala fora da China. Paralelamente à evolução do mercado de canabinoides sintéticos, a disponibilidade de canabinoides semissintéticos aumentou na sequência da legalização da produção e da venda de cânhamo nos Estados Unidos em 2018.
Os canabinoides semissintéticos apresentam riscos desconhecidos para a saúde dos consumidores
Os canabinoides semissintéticos são formas quimicamente modificadas dos canabinoides encontrados na planta da canábis. Foram notificados pela primeira vez na Europa em 2022, onde foram sinalizados como alternativas legais à canábis e ao delta-9-THC. No final de 2024, tinham sido identificados 24 canabinoides semissintéticos nos mercados de droga na Europa. Estas substâncias propagaram-se rapidamente e foram tomadas medidas para as controlar, tendo o HHC (hexa-hidrocanabinol), a primeira identificada, sido registado em 27 países europeus e listado como droga controlada em, pelo menos, 22 Estados-Membros da UE. Foi recomendada para o controlo internacional pelo Comité de Peritos em Toxicodependência da Organização Mundial da Saúde em novembro de 2024. Outros canabinoides semissintéticos que estão também amplamente disponíveis na Europa incluem o hexahidrocanabinol-O-acetato (HHC-O), o hexa-hidrocanabiforol (HHC-P), o delta-9-tetrahidrocanabinol (delta-9-THCP) e o acetato de hexa-hidrocanabiforol (HHC-P-O-A).
Inicialmente, os canabinoides semissintéticos eram importados dos Estados Unidos, mas agora também estão a ser produzidos na Europa (Figura 7.2). A produção também evoluiu de compostos derivados de CBD a partir de canábis com baixo teor de THC, como o HHC, para agora também incluir produtos que são aparentemente totalmente sintéticos, como o HHC-P.
Fonte: DIICOT – Serviço Territorial de Iasi, operação «Dream Factory».
Embora os efeitos dos canabinoides semissintéticos nos seres humanos continuem a ser pouco estudados, há relatórios que sugerem que são semelhantes aos da canábis, com riscos de reações adversas que vão desde intoxicações ligeiras a graves, que por vezes exigem tratamento hospitalar. Alguns países comunicam um número crescente de casos de intoxicação que envolvem estas substâncias, mas não existem atualmente relatórios sistemáticos disponíveis. A semelhança farmacológica entre os canabinoides semissintéticos e o delta-9-THC suscita preocupações quanto ao seu potencial para desencadear episódios psicóticos, bem como para o seu potencial abuso e dependência.
Os canabinoides semissintéticos estão amplamente disponíveis através da Internet e, em alguns países, em locais físicos de venda a retalho, incluindo lojas de cigarros eletrónicos e lojas especializadas que vendem canábis com baixo teor de THC e produtos CBD. Em alguns países podem também ser vendidos em lojas de conveniência (quiosques) e máquinas de venda automática. Os principais produtos são produtos comestíveis e vaporizadores aromatizados, bem como canábis com baixo teor de THC que foi pulverizada ou misturada com canabinoides. A sua acessibilidade e o seu suposto estatuto legal podem atrair tanto os consumidores de canábis como os que a consomem pela primeira vez, incluindo potencialmente jovens e crianças. A semelhança dos produtos comestíveis com alimentos comuns, especialmente doces, também suscita preocupações significativas sobre o consumo acidental, em especial por parte das crianças.
As análises laboratoriais revelaram que os produtos podem diferir muito nas concentrações de canabinoides semissintéticos presentes, sendo que alguns contêm quantidades muito elevadas. Os produtos podem incluir canabinoides não declarados, como o delta-9-THC ou o delta-8-THC, ou novos compostos semissintéticos em concentrações variáveis. Os canabinoides semissintéticos presentes – que podem diferir em termos de potência – e as suas concentrações podem variar significativamente entre produtos e lotes. De um modo geral, esta variabilidade e imprevisibilidade representam um potencial risco de intoxicação para os consumidores.
A rápida proliferação dos vaporizadores e produtos comestíveis – especialmente gomas – é particularmente preocupante do ponto de vista da saúde pública. A sua acessibilidade e apelatividade podem atrair consumidores novos, possivelmente mais jovens que, de outro modo, poderiam não consumir ou ter acesso a canábis ilícita ou querer fumar canabinoides. Além disso, a absorção mais lenta dos canabinoides em produtos comestíveis e o início mais tardio dos efeitos iniciais, em comparação com os cigarros eletrónicos ou cigarros convencionais, pode levar os consumidores a consumir várias porções, correndo o risco de consumir doses tóxicas. Esta situação pode ser agravada pelos consumidores que muitas vezes não têm conhecimento da dosagem adequada ou consumirem mais do que o recomendado, aumentar ainda mais os riscos de intoxicação. Em junho de 2024, a Hungria notificou um surto de 30 intoxicações agudas não fatais relacionadas com gomas que continham dois canabinoides semissintéticos potentes.
Catinonas sintéticas: importações em grande escala e produção da UE criam uma maior disponibilidade
As catinonas sintéticas estabeleceram-se como substitutos de estimulantes como a anfetamina e a cocaína em algumas partes da Europa. Embora o consumo inadvertido de misturas de drogas e comprimidos continue a ser uma preocupação, alguns consumidores podem considerar estes diferentes estimulantes como funcionalmente equivalentes em termos ou efeitos e procurá-los intencionalmente. O mercado evoluiu significativamente desde o fenómeno das «drogas legais» de 2014-2015, quando surgiram quase 30 novas catinonas todos os anos, em comparação com apenas sete em 2024. Em 2023, foram também detetadas mais de 60 catinonas sintéticas anteriormente notificadas no mercado de drogas da UE.
Apesar do surgimento de menos novas substâncias, as quantidades comunicadas pelas autoridades responsáveis como importações e apreensões atingiram níveis sem precedentes. As quantidades comunicadas anualmente aumentaram em 10 toneladas passando para 37 toneladas em 2023 na União Europeia, com os dados preliminares a indicarem a prevalência de grandes quantidades em 2024. A maioria envolveu um pequeno número de importações em massa provenientes da Índia, principalmente através dos Países Baixos. Na sequência recentes medidas de controlo nos Países Baixos sobre a 3-MMC e a 3-CMC, os dados sugerem que a 2-MMC está a surgir como um substituto. Embora não sejam representativos a nível nacional, os dados de 12 serviços de testagem de substâncias psicoativas em 10 Estados-Membros da UE do primeiro semestre de 2024, sugerem que metade das amostras (pós e comprimidos) vendidas como 3-MMC contém, em vez disso, 2-MMC. Como indicação de compra intencional, de todas as amostras em que se encontravam catinonas, 88 % (558) foram apresentadas como tal, enquanto a presença de catinonas nos restantes 12 % (76) de amostras, principalmente MDMA, foi o resultado de vendas abusivas ou adulteração.
Grandes apreensões de precursores em 2023 sugerem que a produção de catinonas sintéticas continua a ser significativa na União Europeia, em especial na Polónia (Figura 7.3). A dimensão e a escala dos locais de produção notificados como desmantelados pelas autoridades responsáveis variam entre laboratórios à «escala da cozinha» e instalações de elevado rendimento, mas têm vindo a aumentar desde 2021 (ver também Oferta, produção e precursores de drogas — a situação atual na Europa).
Nota: Apreensão efetuada pelo Serviço Central de Investigação Policial.
Embora a 3-MMC e a 3-CMC tenham dominado o mercado nos últimos anos, as catinonas menos comuns, como a alfa-pirrolidinisohexanofenona (alfa-PHiP, às vezes vendida como «Flakka») e a N-etilnorpentedrona (NEP), podem criar problemas de saúde localizados. Estas tendências de menor escala podem não ser detetadas precocemente por parte das agências de saúde pública, causando potencialmente danos graves antes de serem identificadas. A EUDA realizou recentemente avaliações de risco a três novas catinonas sintéticas: 2-metilmetacatinona (2-MMC), 4-bromometcatinona (4-BMC) e N-etilnorpentedrona (NEP).
Opiáceos de nitazeno fatais ainda estão a aparecer no mercado de drogas da UE
Os novos opiáceos sintéticos são muitas vezes altamente potentes, o que significa que uma pequena quantidade pode ser suficiente para produzir um grande número de doses típicas de rua e pode constituir um risco acrescido de intoxicação fatal. Desde 2012, duas ondas distintas de opiáceos potentes constituíram uma ameaça para a saúde pública na Europa. A primeira, entre 2012 e 2019, foi causada por 38 derivados de fentanilo e conduziu, pelo menos, a 8 surtos de intoxicação documentados, resultando em cerca de 285 mortes. Os controlos jurídicos nos Estados Unidos, na Europa e na China levaram ao rápido desaparecimento destas drogas. Desde 2019, foram substituídos por opiáceos benzimidazóis «nitazeno» altamente potentes. Os dados recentes sugerem que a disponibilidade e os riscos associados aos opiáceos de nitazeno estão a aumentar.
Sete novos opiáceos sintéticos foram formalmente notificados em 2024 ao Sistema de Alerta Rápido da UE, dos quais todos eram nitazenos, o número mais elevado notificado num único ano. Desde 2019, pelo menos 21 Estados-Membros da UE já comunicaram a presença de um nitazeno.
Os opiáceos de nitazeno foram associados a mortes induzidas pelo consumo de droga na Europa, com relatórios de 2023 da Estónia (62 de 119 mortes) e da Letónia (101 de 154 mortes) que indicam que estas substâncias representam uma percentagem crescente de mortes por overdose nestes países. Devido à sua elevada potência e novidade, receia-se que os opiáceos de nitazeno possam não ser detetados sistematicamente nos procedimentos habitualmente utilizados na toxicologia post mortem. Pelo menos 159 mortes foram associadas ao fentanilo e aos derivados do fentanilo na Europa em 2022. Muitos deles foram associados ao fentanilo desviado do uso médico, por oposição ao fentanilo produzido para o mercado de drogas ilícitas.
Em 2023, a quantidade de nitazenos em pó detetados na Europa triplicou para 10 quilogramas, em comparação com 2022. As notificações feitas ao Sistema de Alerta Rápido da UE também sugerem um aumento recente significativo da disponibilidade na Europa de medicamentos falsificados contendo opiáceos de nitazeno. Estes produtos imitam normalmente os medicamentos de prescrição legítima, em particular a oxicodona e, em menor grau, as benzodiazepinas como a diazepam e a alprazolam. O aspeto aparentemente legítimo destes comprimidos pode também intensificar as potenciais ameaças para a saúde, contribuindo para uma falsa sensação de segurança entre as pessoas que os consomem. Embora sejam geralmente tomados por consumidores de opiáceos de alto risco, existem preocupações quanto ao potencial de se propagarem a populações mais vastas sem tolerância aos opiáceos, incluindo os jovens (Figura 7.4). Em 2023, as autoridades de 8 países confiscaram quase 24 000 comprimidos que continham nitazeno, em comparação com apenas 430 comprimidos em 2022. Os dados preliminares de 2024 apoiam esta tendência, com mais de 50 000 comprimidos apreendidos em 9 Estados-Membros da UE. Embora o número de apreensões permaneça relativamente reduzido, estes dados podem sugerir uma potencial expansão do mercado para estas substâncias potencialmente fatais. Estes medicamentos falsificados representam um risco significativo de intoxicação grave devido à elevada potência dos nitazenos, em especial para as pessoas sem tolerância ao opiáceo. Em junho de 2024, a Irlanda comunicou cerca de 20 casos de overdoses não fatais relacionadas com comprimidos falsos de benzodiazepinas que continham protonitazeno.
Fonte: Laboratório Aduaneiro da Suécia.
O panorama europeu dos opiáceos continua a enfrentar potenciais mudanças decorrentes da evolução internacional. A proibição, por parte dos Talibãs, do cultivo da papoila do ópio no Afeganistão desde abril de 2022 reduziu significativamente a produção de ópio, mas a medida em que tal poderá restringir o fornecimento de heroína para a Europa continua a ser uma incógnita, uma vez que existem reservas de ópio no Afeganistão. Qualquer potencial défice de oferta poderia, em alguns países, ser colmatado por novos opiáceos sintéticos e outras substâncias. No entanto, o controlo alargado dos opiáceos de nitazeno por parte da China em 2024, que atualmente abrange 10 substâncias, pode desviar o mercado dos compostos dominantes, como o metonitazeno e o protonitazeno, para novos derivados ou famílias de opiáceos alternativas. Por exemplo, desde meados de 2024, registou-se um pequeno mas significativo aumento nas deteções de substâncias que pertencem à família da «orfina», com 5 países a registarem ciclorfina (uma benzimidazolona) e 2 a detetarem spiroclorfina (um espirotriazol). Embora não existam atualmente dados farmacológicos disponíveis para estas substâncias, a sua semelhança estrutural com a brorfina, um opiáceo potente, sugere que um dos principais riscos para a saúde é provavelmente a depressão respiratória (ver também Heroína e outros opiáceos – a situação atual na Europa).
Estes desenvolvimentos sublinham os principais desafios de preparação, com uma necessidade crítica para a União Europeia, bem como para os sistemas nacionais de alerta precoce e as respetivas redes laboratoriais, para continuarem a estar preparados para detetar e abordar os derivados de nitazeno emergentes e outros novos opiáceos sintéticos. De um modo mais geral, a disponibilidade de opiáceos sintéticos altamente potentes exige-nos que examinemos se as abordagens atuais utilizadas para prevenir, tratar e reduzir os danos relacionados com o consumo de opiáceo continuam adequadas à sua finalidade. Por exemplo, foi sugerido que é necessário rever as abordagens para fornecer o antídoto de opiáceo, naloxona, uma vez que poderá ser necessário adaptar os modelos de cuidados para responder de forma mais eficaz às pessoas que consumiram novos opiáceos sintéticos ou misturas que contêm novos opiáceos sintéticos e outras substâncias (ver também Tratamento com agonistas opiáceos – situação atual na Europa e Redução de danos – situação atual na Europa).
Ver também o Mercado da droga: Novas substâncias psicoativas – Análise aprofundada da EUDA-Europol de 2024 e as Respostas sanitárias e sociais da EUDA aos problemas da droga.
Principais dados e tendências
Novas substâncias psicoativas notificadas
- No final de 2024, a EUDA monitorizava 1 000 novas substâncias psicoativas, 47 das quais foram comunicadas pela primeira vez na Europa em 2024 (Figura 7.5 e Quadro 7.1).
- Foram detetadas cerca de 350 novas substâncias psicoativas nas apreensões em 2023 (Figura 7.6).
- Em 2024, o Sistema de Alerta Rápido da UE recebeu notificações de 20 novos canabinoides, elevando para 277 o número total de canabinoides objeto de monitorização.
- Desde 2009, foi identificado um total de 88 novos opiáceos no mercado de droga europeu, com 7 novas substâncias notificadas em 2024, das quais todas elas eram opiáceos de nitazeno altamente potentes, que podem ser centenas de vezes mais potentes do que a heroína. Até à data, foram identificados 22 nitazenos na Europa (Figura 7.7).
Apreensões de novas substâncias psicoativas
- Em 2023, os Estados-Membros da UE representaram 33 710 dos 110 868 casos de apreensão ou importação de novas substâncias psicoativas notificadas na União Europeia, na Noruega e na Turquia, representando 99,9 % das 41,4 toneladas notificadas (30,5 toneladas em 2023) (Figura 7.8). O aumento foi impulsionado por um pequeno número de casos que envolveram catinonas (3-CMC, 2-MMC) (Figura 7.9). Além disso, foram apreendidos 1 286 litros de líquidos contendo novas substâncias psicoativas, principalmente GBL (437 litros) e 3-CMC (432 litros).
- Em 2023, apenas 4 substâncias representaram quase 90 % da quantidade de novas substâncias psicoativas comunicadas pelas autoridades responsáveis pela aplicação da lei da UE: 3 catinonas (3-CMC, 2-MMC e N-etilnorpentedrona, que correspondem a 33,8 toneladas) e cetamina (2,9 toneladas, em comparação com as 2,8 toneladas comunicadas em 2022) (Figura 7.9).
- Em 2023, 24 países notificaram a apreensão de 81 quilogramas (234 quilogramas em 2022) de canabinoides sintéticos e 181 quilogramas (47 quilogramas em 2022) de canabinoides semissintéticos como material à base de plantas. A quantidade de canabinoides sintéticos em pó apreendidos diminuiu significativamente, de 503 quilogramas em 2022 para 10 quilogramas em 2023. Com 149 quilogramas e 210 litros, o HHC foi responsável pela maior parte das canabinoides semissintéticas apreendidas. Os produtos de canábis à base de plantas com baixo teor de THC que continham canabinoides sintéticos ou semissintéticos representaram cerca de 50 % do material apreendido, totalizando 131 quilogramas (76 quilogramas em 2022), notificado por 15 países.
- Em 2023, os países comunicaram 927 apreensões e 22 quilogramas de opiáceos sintéticos ao Sistema de Alerta Rápido da UE, o que representa um aumento em relação aos 17 quilogramas apreendidos em 2022. Nomeadamente, a quantidade de nitazenos apreendidos triplicou, passando de 3 para 10 quilogramas apreendidos em 2023. Das apreensões de novos opiáceos notificadas, 24 % continham carfentanilo, 24 % protonitazeno, 23 % metonitazeno e 20 % tramadol. Foi apreendido um total de 22 quilogramas de material, 32 % (7,0 quilogramas) contendo carfentanilo, 29 % (6,4 quilogramas) contendo protonitazeno e 22 % (4,8 quilogramas) contendo tramadol. A maior parte das apreensões de opiáceos sintéticos ocorreu no norte da Europa, tendo a Estónia, a Letónia e a Lituânia comunicado 77 % das apreensões e 76 % (16,7 quilogramas) da quantidade apreendida. A Espanha comunicou 4,6 % das apreensões de opiáceos sintéticos e 21 % (4,7 quilogramas) das quantidades apreendidas, principalmente devido a duas apreensões de tramadol.
Prevalência do consumo de novas substâncias psicoativas
- As estimativas nacionais relativas ao consumo de novas substâncias psicoativas no ano passado (excluindo cetamina e GHB) entre jovens adultos (entre os 15 e os 34 anos) variam entre 0,1 % na Letónia e na Noruega para 5,1 % na Roménia.
- O inquérito escolar ESPAD de 2024 estimou que, entre os estudantes de 15 a 16 anos de idade na União Europeia, o consumo médio ao longo da vida de novas substâncias psicoativas foi de 2,6 %, variando entre 0,6 % e 6,4 %, com o consumo ao longo da vida a oscilar entre 1,0 % e 16 % no caso dos canabinoides sintéticos, 0,4 % e 3,7 % para as catinonas sintéticas e 0,6 % e 2,2 % no caso dos opiáceos sintéticos. A prevalência média do consumo de novas substâncias psicoativas ao longo da vida foi idêntica para rapazes e raparigas.
- No Inquérito Online Europeu sobre Drogas de 2024, um inquérito não representativo de pessoas que consomem drogas, 16 % dos inquiridos declararam ter consumido novas substâncias psicoativas nos últimos 12 meses. Destes, 21 % indicou ter consumido as substâncias juntamente com canábis herbácea e 15 % com MDMA/ecstasy no último episódio de consumo. No que diz respeito ao consumo de substâncias individuais nos últimos 12 meses, 14 % dos inquiridos referiram ter consumido canabinoides semissintéticos, 3 % canabinoides sintéticos e 9 % catinonas sintéticas. Cerca de 70 % dos participantes que consumiram novas substâncias psicoativas declararam que consumiram a droga «para ficar alterado ou para se divertir».
Siglas e acrónimos
| Abreviatura | Denominação química |
|---|---|
| 4-BMC | 4-bromometcatinona |
| 2-MMC | 2-metilmetacatinona |
| 3-CMC | 3-clorometcatinona |
| HHC-O | acetato de hexa-hidrocanabinol |
| HHC-P | hexa-hidrocanabiforol |
| HHC-P-O-A | acetato de hexa-hidrocanabiforol |
| delta-9-THC | delta-9-tetrahidrocanabinol |
| delta-9-THCP | delta-9-tetrahidrocanabinol |
| CBD | canabidiol |
| CBG | cannabigerol |
| GBL | gama-butirolactona |
| HHC | hexa-hidrocanabinol |
Fontes de dados
O conjunto completo de dados de base para o Relatório Europeu sobre Drogas 2025, incluindo metadados e notas metodológicas, está disponível no nosso catálogo de dados.
Pode ser consultado abaixo um subconjunto destes dados, utilizado para gerar infografias, quadros e elementos semelhantes nesta página.
